... o tempo não respondeu ao tempo, porque agora tem pouco tempo, e adiou para o mês que vem!
Dedicado à Jerica Teimosa (e a tantos outros que sofrem do mesmo mal)- Temos que combinar qualquer coisa!
- Pois temos!
- Esta semana não, tenho muito que fazer...
Dejá vu?
Gosto mais deste:
Certo dia, estava eu a vir do parque da cidade, a meia dúzia de semáferos da casa da Jerica Teimosa, quando tive a ideia maluca de ARRISCAR e ligar, quase certa de ouvir um não.
- Estou perto de tua casa, posso passar aí 5 minutos?
- Estou em arrumações...
- Eu faço-te companhia, não tens que parar!
E fiquei lá mais que 5 minutos, ajudei a arrastar umas coisas mais pesadas, ainda nos rimos com coisas que lá estavam num canto e nos trouxeram recordações, matámos saudades e quebrámos o record de nos vermos 2 míseras vezes por ano.
(vale a pena ser teimosa, já devem estar a adivinhar que a pessoa que tão carinhosamente se auto-entitula de "Jerica Teimosa" é da minha família)
Se tivesse sugerido uma ida ao cinema ou outra coisa do género, provavelmente tinha ouvido um "não tenho tempo"...
A teoria do complicómetroDe facto, quantas vezes ligamos o complicómetro, queremos combinar grandes coisas e acabamos por estar tão poucas vezes com as pessoas de quem gostamos!?!?! ... e tantas com a tv, o tecto, o msn...
Acho que devo ter uma costela de "gente da aldeia", pois admiro aquelas pessoas que têm sempre a porta aberta, e está sempre a aparecer a vizinha a pedir uma cebola, o compadre para dar 2 dedos de conversa, e há sempre lugar para mais um na mesa!
Por mim, tinha a casa sempre cheia de gente!
(e sim, até dos tempos em que alguns amigos combinavam jantaradas em minha casa sem me avisar - bem, eu depois era avisada... pela campainha - sim, até desses tempos tenho saudades!)
E porque não estamos mais vezes com as pessoas de quem gostamos?
Além da teoria do complicómetro, tenho outras 2:
A teoria do comodismoEstamos habituados a ter tudo à mão. Hipermercados abertos até tarde, é só por no carrinho e trazer, e ficamos chateadíssimos se alguma coisa está esgotada...
É parecida a forma como tentamos obter aquela realização do dia-a-dia, de que necessitamos para nos sentirmos bem. Vamos pelo mais fácil.
Carregar no botão para ligar a tv é mais prático do que carregar em várias teclas do telemóvel e convidar um amigo para sair... E ao fim de 2 ou 3 novelas ainda temos um buraco tão grande dessa desejada satisfação, que não conseguimos tirar os olhos do tecto nem levantar o rabo do sofá...
No dia seguinte, aquele amigo até nos ligou para tomar um cafezinho, mas estamos cansados porque nos deitámos tarde no dia anterior...
A teoria da pressa e do esquecimentoApercebi-me desta há pouco tempo, e enfio a carapuça!
Tenho que admitir... sou hiperactiva! Quando não estou a fazer nada, ponho-me logo a pensar no que posso fazer para aproveitar o tempo, e ponho logo mãos à obra.
Como "não tenho nada de jeito para fazer", não faz mal adiantar aquele assunto de trabalho, é melhor que não fazer nada, ou então vou inventar qualquer coisa sem interesse nenhum para ocupar esse tempo.
Ora se não fosse tão apressada, e ficasse realmente algum tempo sem fazer nada, iria lembrar-me que o fim de semana está a chegar e tenho que combinar as saídas com os amigos, que se jantasse cedinho ainda podia combinar um cafezinho, que amanhã é dia de ginásio e devia estar a preparar o saco, que ainda não lavei a loiça do jantar.
... e dias depois vou lembrar-me de que tinha tanta coisa para fazer mas "não tive tempo"!!! E vou querer convidar alguém para vir cá a casa mas não o faço porque "não tive tempo de a arrumar"...
Para as pessoas de quem gostamos, deviamos ter sempre tempo.Mas às vezes parece que trocamos as prioridades todas...