"a felicidade não é uma meta mas sim um caminho"
sempre gostei de lutar por algo. ter um objectivo. persistir, planear, esforçar-me até conseguir, e depois ficar a contemplar o sonho alcançado.
mas nem sempre sou capaz de o fazer. nem sempre sigo o melhor caminho. nem sempre sei tomar a decisão certa. o momento certo. a confiança, a sensatez, as teorias vão por água abaixo.
quantas vezes dizemos que amanhã é que vai ser! quantas vezes achamos que somos uns coitadinhos, que a vida é injusta, que esperamos mais da vida mas não sabemos bem quando como e onde vamos conseguir isso.
"só hoje deixei de tentar erguer os planos de sempre
aqueles que ficam pra outro amanhã que há de ser diferente
...
é que hoje parece bastar um pouco de céu!"
[Mafalda Veiga]
e quantas vezes dou por mim a voltar à vida normal. a lembrar-me que há 2 horas atrás estava com a telha porque não consegui fazer isto ou aquilo, e a aperceber-me que não pensei em nada durante essas últimas horas.
aquele portão da zona industrial parece mais um portal para outra dimensão. não me apercebo quando entro, mas quando saio venho com um sorriso nos lábios. porque enquanto lá estive os meus únicos problemas foram os desequilibrios nas voltinhas da salsa, ou as cotoveladas acidentais no meu par (pisadelas não tem havido tantas, vá lá...). e quando saio lembro-me que já não me lembrava daquela preocupação que agora já não parece tão importante.
e outros "portões" se abrem, como as ruas e vielas de oliveira do douro, o sol a bater na cara no banco do jardim, ou as portas das casas dos amigos. a porta de minha casa, quando se abre para alguém entrar. ou uma simples corrida à chuva até ao ecoponto, das 22h50 às 23h00, 10 pequenos minutos dos quais não esperaria nada mais do que 10 minutos passados em casa num fim de um dia que soube a pouco.
ultimamente sinto-me assim.
a passar portais entre duas dimensões, a ir e voltar.
entre uma vida em que persigo objectivos e desafios que me dão gozo.
e outra onde simplesmente me deixo ir, sem nada esperar e me deixo saborear as coisas que a vida me dá, sem eu pedir.
talvez seja esse o segredo da felicidade...
quando nada se espera, os bons acontecimentos têm mais sabor, pois não os desprezamos a pensar nas expectativas que não se concretizaram.
perseguir desafios faz parte da natureza humana. mas talvez seja por isso que haja tanta gente deprimida por aí... esperam demais da vida e talvez esperem as coisas erradas.
talvez por isso eu ande assim.
entre a adrenalina e o sabor do vento...
Bruxa da Vida
Há 3 dias