sábado, 30 de agosto de 2008

O tempo perguntou ao tempo: quanto tempo o tempo tem?

... o tempo não respondeu ao tempo, porque agora tem pouco tempo, e adiou para o mês que vem!

Dedicado à Jerica Teimosa (e a tantos outros que sofrem do mesmo mal)

- Temos que combinar qualquer coisa!
- Pois temos!
- Esta semana não, tenho muito que fazer...

Dejá vu?
Gosto mais deste:

Certo dia, estava eu a vir do parque da cidade, a meia dúzia de semáferos da casa da Jerica Teimosa, quando tive a ideia maluca de ARRISCAR e ligar, quase certa de ouvir um não.
- Estou perto de tua casa, posso passar aí 5 minutos?
- Estou em arrumações...
- Eu faço-te companhia, não tens que parar!
E fiquei lá mais que 5 minutos, ajudei a arrastar umas coisas mais pesadas, ainda nos rimos com coisas que lá estavam num canto e nos trouxeram recordações, matámos saudades e quebrámos o record de nos vermos 2 míseras vezes por ano.
(vale a pena ser teimosa, já devem estar a adivinhar que a pessoa que tão carinhosamente se auto-entitula de "Jerica Teimosa" é da minha família)

Se tivesse sugerido uma ida ao cinema ou outra coisa do género, provavelmente tinha ouvido um "não tenho tempo"...

A teoria do complicómetro

De facto, quantas vezes ligamos o complicómetro, queremos combinar grandes coisas e acabamos por estar tão poucas vezes com as pessoas de quem gostamos!?!?! ... e tantas com a tv, o tecto, o msn...

Acho que devo ter uma costela de "gente da aldeia", pois admiro aquelas pessoas que têm sempre a porta aberta, e está sempre a aparecer a vizinha a pedir uma cebola, o compadre para dar 2 dedos de conversa, e há sempre lugar para mais um na mesa!
Por mim, tinha a casa sempre cheia de gente!
(e sim, até dos tempos em que alguns amigos combinavam jantaradas em minha casa sem me avisar - bem, eu depois era avisada... pela campainha - sim, até desses tempos tenho saudades!)


E porque não estamos mais vezes com as pessoas de quem gostamos?
Além da teoria do complicómetro, tenho outras 2:

A teoria do comodismo

Estamos habituados a ter tudo à mão. Hipermercados abertos até tarde, é só por no carrinho e trazer, e ficamos chateadíssimos se alguma coisa está esgotada...
É parecida a forma como tentamos obter aquela realização do dia-a-dia, de que necessitamos para nos sentirmos bem. Vamos pelo mais fácil.

Carregar no botão para ligar a tv é mais prático do que carregar em várias teclas do telemóvel e convidar um amigo para sair... E ao fim de 2 ou 3 novelas ainda temos um buraco tão grande dessa desejada satisfação, que não conseguimos tirar os olhos do tecto nem levantar o rabo do sofá...

No dia seguinte, aquele amigo até nos ligou para tomar um cafezinho, mas estamos cansados porque nos deitámos tarde no dia anterior...

A teoria da pressa e do esquecimento

Apercebi-me desta há pouco tempo, e enfio a carapuça!

Tenho que admitir... sou hiperactiva! Quando não estou a fazer nada, ponho-me logo a pensar no que posso fazer para aproveitar o tempo, e ponho logo mãos à obra.
Como "não tenho nada de jeito para fazer", não faz mal adiantar aquele assunto de trabalho, é melhor que não fazer nada, ou então vou inventar qualquer coisa sem interesse nenhum para ocupar esse tempo.

Ora se não fosse tão apressada, e ficasse realmente algum tempo sem fazer nada, iria lembrar-me que o fim de semana está a chegar e tenho que combinar as saídas com os amigos, que se jantasse cedinho ainda podia combinar um cafezinho, que amanhã é dia de ginásio e devia estar a preparar o saco, que ainda não lavei a loiça do jantar.

... e dias depois vou lembrar-me de que tinha tanta coisa para fazer mas "não tive tempo"!!! E vou querer convidar alguém para vir cá a casa mas não o faço porque "não tive tempo de a arrumar"...


Para as pessoas de quem gostamos, deviamos ter sempre tempo.
Mas às vezes parece que trocamos as prioridades todas...

7 comentários:

josé de férias disse...

No nosso cérebro existe esta luta eterna entre a memória e o esquecimento. E o Tempo (que é nosso) faz-se na tentativa de equilíbrio entre as duas, ora apressando tarefas ora obrigando-nos a descartar e a desperdiçar outras.

O problema é que este processo é influenciado pelo que nos rodeia, pela sociedade, pelo estilo de vida e acabamos por esqueçer de dar importância àquilo que verdadeiramente interessa (os filhos, quem nós amamos, os amigos, e nós próprios).

Precisamos urgentemente nos dias de hoje de uma coisa:
Capacidade de deslumbramento, de contemplação. (a tua teoria da pressa)

"O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós" - Jorge Palma

Sara disse...

Desejo-te Tempo!

Não te desejo um presente qualquer,
Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem.
Desejo-te tempo, para te divertires e sorrir;
Desejo-te tempo para que os obstáculos sejam sempre superados
E muitos sucessos comemorados.
Desejo-te tempo, para planear e realizar,
Não só para ti mesmo, mas também para dá-lo aos outros.
Desejo-te tempo, não para teres pressa e correr,
Desejo-te tempo para encontrar-te a ti mesmo,
Desejo-te tempo, só para passar ou vê-lo no relógio,
Desejo-te tempo, para que fiques;
Tempo para encantares-te e tempo para confiar em alguém.
Desejo-te tempo para tocar as estrelas,
E tempo para crescer, para amadurecer.
Desejo-te tempo para aprender e acertar,
Tempo para recomeçar, se fracassares.
Desejo-te tempo também para poderes voltar atrás e perdoar.
Desejo-te tempo, para teres novas esperanças e para amar.
Não faz mais sentido protelar.
Desejo-te tempo para seres feliz.
E viveres cada dia, cada hora como um presente.
Desejo-te tempo, tempo e mais tempo para a vida.
Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo!

Jerica Teimosa disse...

Já dizia o senhor Einstein...tudo é relativo...até o tempo... Não importa se é pouco tempo ou muito tempo, o que interessa é o que damos de nós no tempo que temos...
E quanto às prioridades, mais uma coisa que é relativa...Não se pode medir as prioridades dos outros pelas nossas...
"Para as pessoas de quem gostamos, deviamos ter sempre tempo.": é verdade, mas de novo pergunto: O que é o teu tempo e o meu tempo? Podem existir em dimensões diferentes..
Tenho aprendido que não podemos exigir dos outros algo que eles não são... Cada um gosta à sua maneira e mais importante que isso é ser feliz à sua maneira... Quem gosta fica feliz por ver o outro feliz, seja longe ou perto...não é a distância nem o tempo que separa as pessoas...

Isabel disse...

ó dona Jerica, és teimosa mas eu sou mais!
E no que escrevi, muito contra mim falei.
Mas se enfiaste a carapuça é lá contigo ;) ...
Realmente às vezes exigimos demais aos outros, mas por vezes exigimos mais ainda de nós próprios.
Às vezes precisamos é de MUDAR DE ESTRATÉGIA e desligar o complicómetro (é o que tenho tentado fazer nestes últimos tempos)
Temos que repetir mais vezes os "5 minutos" de que falo no post, e os "15 minutos" da última vez! :)

Sara disse...

By jerica teimosa "Cada um gosta à sua maneira e mais importante que isso é ser feliz à sua maneira... Quem gosta fica feliz por ver o outro feliz, seja longe ou perto...não é a distância nem o tempo que separa as pessoas..." e by isabel"Temos que repetir mais vezes os "5 minutos" de que falo no post, e os "15 minutos" da última vez! :)", é assim vcs as duas estao cheias de razao (cada uma á sua maneira e sob o seu ponto de vista), mas em relacao a Ti "jerica teimosa" gostei de saber a tua opiniao em relacao á distancia, ao tempo e á separacao das pessoas (you know what I mean) e tu Isabel essa de repetir os "5 minutos", fiquem as duas a saber que espero sinceramente que nos voltemos a encontrar as tres, mas já agora por mais de meia-hora ;)

Tim disse...

Voces as tres!! Continuam iguais aquilo de que me lembro! Quando poderemos ser novamente (as quatro) mesmo que por pouco tempo? Beijinhos

Isabel disse...

oh tempo volta pra trás!
lalalalalalala!!!

(estou no auge de uma crise de melancolia que começou há cerca de meia hora, por isso agora ao ler as vossas postas de pescada bati um bocado mal, mas isto já passa)

Um "mudar de estratégia" tem a ver com adaptarmo-nos às circunstâncias que mudam, mas sem deixar de ser nós próprios.
A vida é uma estrada que vamos traçando com as nossas opções, mas também influenciada por quem se cruza no nosso caminho. Não é como os computadores que dão para fazer UNDO. E às vezes sentimo-nos meio perdidos.

"Mudar de estratégia" é parar de procurar essa "tecla mágica" e também aceitar que aquilo que resultou um dia pode não resultar no outro. É aceitar que as coisas e as pessoas mudam de lugar, por isso não podemos procurá-las sempre nos mesmos sítios.

"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se 'ontem' e o outro chama-se 'amanhã', portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver."
Dalai Lama

"Pára de remoer nas coisas que não dependem de ti, ou sairás frustrado e sem forças para lutar por aquelas coisas que realmente podes mudar"
(não sei se esta tem direitos de autor, mas é dos conselhos que mais repito aos meus amigos - e a mim própria)

PS: viva o msn, que pelos vistos foi a forma de nos manter mais em contacto, apesar da distância e da correria do dia a dia!
HIP! HIP! HURRAAA!!! :)